terça-feira, 10 de março de 2020
Cartaz, anúncio: Frase, tipos de frase, oração e período. Exercício de fixação
Leia o cartaz a seguir.
a) Em que tipos de contexto esses enunciados seriam
produzidos?
b) Que elemento é comum a todos eles?
c) Que acusação está implícita no trecho “não me preocupar com
nada”?
d) Quais dos enunciados são frases, mas não orações?
Justifique.
e) Que tipo de frase aparece em destaque no cartaz? O que
justifica essa ênfase?
f) Releia um dos enunciados escritos em letras menores: “Vamos
pensar, refletir, mudar nossas atitudes”. Que tipo de frase é essa? Explique
sua resposta.
1 – Qual é o objetivo do anúncio?
2 – Transcreva as frases cujo tipo reflete diretamente esse
objetivo. Justifique sua resposta.
3 – Destaque uma palavra do texto principal usada com duplo
sentido. Explique sua resposta.
4 – Destaque a frase do texto em que essa duplicidade de
desfaz.
5 – Que efeito o produtor do texto obtém quando emprega os
pronomes demonstrativos aquele e aquela para indicar os objetos que podem ser
doados?
6 – Esses objetos são caracterizados por meio de orações
introduzidas por pronomes relativos. Quais são elas?
7 – Que ideia é comum a
essas orações?
sábado, 7 de março de 2020
Maneiras para iniciar a redação I
MAterial utilizado durante as aulas em power point!
A imagem acima que provavelmente não estará visível para você, é um rascunho de "Vidas Secas" feito por Graciliano Ramos, um dos nossos excelentes escritores. Ela foi inserida para mostrar a você que até os mestres, antes do texto final, rascunhavam a redação.
O esquema que passo em sala de aula é o seguinte:
Antes de iniciar, você que ainda tem dúvida, pode clicar no link abaixo e assistir a uma aula minha sobre a dissertação-argumentativa no ENEM!
https://www.youtube.com/watch?v=np5vGXx_Tas
Introdução - é a parte do texto em que você apresenta a tese (ponto de vista). O ideal é que seja feita em um parágrafo.
Desenvolvimento - parte da redação em que se argumenta, ou seja, utiliza estratégias argumentativas para defender o ponto de vista explícito na introdução. São estratégias argumentativas: citação, exemplos, causa e consequência, comparação, dados estatísticos, entre outras. Agora presta atenção, viu que a parte do texto é chamada de desenvolvimento? Se não, olhe de novo! Sabe o que isso significa? Que você, além de citar uma frase de um especialista, por exemplo, deve desenvolvê-la, detalhá-la e relacionar com as suas ideias. O ideal é que o desenvolvimento tenha pelo menos dois parágrafos.
Dois tipos de estratégias são bastante empregadas pelos alunos que tiram nota mil no ENEM: Dados estatísticos, mas principalmente Argumento de Autoridade, ou seja, citação direta ou indireta. Nessa última, você a empregando bem, ganha ponto em mais de uma competência.
Conclusão - é a última parte do texto. Só no ENEM ela deve ser exequível, quer dizer, viável e detalhada. Detalhada significa ter a resposta no texto dos seguintes elementos: o que vai ser feito? Quem vai fazer? Como? Para quê?
Quem vai fazer? Lembra do seguinte esquema a seguir: (Ah! um parágrafo para a conclusão está ótimo!)
G - governo
O - ONGs
M - mídia
I - indivíduo
F - família
E - estado
S - sociedade
Coloca na frente do espelho, na tela da televisão ou de teu celular para você memorizar isso!
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Proposta de Redação sobre bullying
A partir da leitura dos textos motivadores
seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação,
redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua
portuguesa sobre o tema “Alternativas
para combater o bullying contra crianças e adolescentes no Brasil”, apresentando
proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu
ponto de vista.
TEXTOS
MOTIVADORES
TEXTO I
O Brasil tem o segundo maior índice de pais e
mães que dizem que seus filhos já foram vítimas de bullying na internet. É o que
constata a pesquisa da Ipsos sobre o cyberbullying, em que o país, com 29% dos
entrevistados fazendo tal afirmação, só fica atrás da Índia, que tem índice de
37%. (Fonte: Revista Época)
TEXTO II
Bullying é
uma palavra que se originou na língua inglesa. “Bully” significa “valentão”, e
o sufixo “ing” representa uma ação contínua. A palavra bullying designa um
quadro de agressões contínuas, repetitivas, com
características de perseguição do agressor contra a
vítima, não podendo caracterizar uma agressão isolada, resultante de uma briga.
As agressões podem
ser de ordem verbal, física e psicológica,
comumente acontecendo as três ao mesmo tempo. As vítimas são intimidadas,
expostas e ridicularizadas. São chamadas por apelidos vexatórios e sofrem
variados quadros de agressão com base em suas características físicas, seus
hábitos, sua sexualidade e sua maneira de ser. (Professor de Sociologia, Francisco
Porfírio)
TEXTO III
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Porque o professor não pode dar tiro
Porque
o professor não pode dar tiro
O episódio recente que
aconteceu com o senador do Ceará nos permite fazer algumas ponderações sobre a
relação entre a classe política brasileira e os trabalhadores. Sem dúvida, ele
não temperou bem a atuação irracional em tentar desobstruir o movimento da
categoria dos policiais literalmente com rolo compressor. Sim, destaco esse
termo porque não é de hoje que os políticos passam rolo compressor nas
categorias, quando elas reivindicam alguma melhoria, principalmente reajuste
salarial. Quantas vezes recorrem a justiça, em última instância, aos tribunais
superiores e conseguem decisões desfavoráveis aos servos assalariados. Quantas
vezes usam a mídia para disseminar a imagem de que a crise nesse país colossal tem
um culpado: o trabalhador.
O fato é que essa tática de
usar a força com imperícia, pelo menos no episódio analisado, transferiu-se da
abstração ideológica e concretizou-se em ação de força humana e tecnológica: acabar
uma manifestação com o uso de uma retroescavadeira. Nesse caso, o senador foi
imprevisível. Resultado: na tentativa de medir forças, a classe trabalhadora,
ou alguns vândalos, deram tiro na autoridade política. As autoridades competentes
acharão os responsáveis, mas não se defende aqui qualquer tipo de violência ou
atentado à vida de quem quer que seja, pois há outras maneiras de se negociar
melhorias, uma delas é o diálogo.
De qualquer maneira, o
episódio ocorrido no Ceará acaba repercutindo no Brasil, em outros estados. Negativa
ou positivamente, assistimos reajustes salariais a agentes de segurança pública
em um estado, enquanto em outros a categoria começa a ser motivada a lutar pelos
seus direitos. Isso não ocorre apenas com os polícias, mas com outras
categorias, como os profissionais do magistério. A arma que um educador utiliza
é o pincel, a panfletagem, a disseminação de ideias em sala de aula ou na
comunidade a fim de perceber em seus contracheques o pagamento do Piso Salarial
Nacional, ou mesmo um espaço adequado para a consolidação do processo de ensino
e aprendizagem.
Ocorre que a classe política
vem derrotando constantemente os educadores desse país, haja vista que o próprio
tribunal superior já concedeu a inúmeros chefes do poder executivo estatal,
liminares ou decisões permanentes para não reajustar o salário dos professores.
Com efeito, à classe política fica o sentido de vitória, já à classe da
educação fica a desmotivação cada mais crescente em um país onde não se tem
levado a sério a educação. Ao professor, então, resta aceitar a realidade
escolar e enfrentar com os mínimos recursos que possui os desafios da educação
escolar. Muitos foram mortos pelo cansaço: não creem que político algum,
incluindo ex- professores, chegariam ao luxo de valorizar esses profissionais.
O pior é que a história é
cheia de exemplos que fundamentam tal tese. Todavia, no íntimo de cada um, há
um grito que silencia, fica entalado, mas explode durante as reuniões. Há ainda
aqueles que explodem mesmo, mudam de profissão, mas poucos, poucos mesmos que
lutam por algo em prol de seu exercício do magistério.
Voltemos aos policiais: os tiros
disparados no senador foram um risco que ele enfrentou e um alerta aos
políticos: pergunte ao trabalhador o que é um político, o que ele representa.
Uma coisa é certa, não é mais um semideus que pode entrar em qualquer ambiente
sem um colete a prova de balas ou desprotegido numa manifestação de classes,
pois sempre existirá os exaltados, os que, ao lembrarem que o pequeno salário arrochado
pela inflação, não consegue dar dignidade a si e a sua família, o que crê na
luta por algo melhor, mas não tem retorno, deixa o patos dominar a
racionalidade, e o resultado são disparos como os que atingiram o político.
Sem mais, os professores não
podem dar tiros, não possuem armas como as dos policiais, talvez por isso não
são reconhecidos como devem, valorizados pelos gestores das diversas bandeiras
partidárias desse país. Não se quer aqui defender a ideia de que é necessário
dar tiros no Brasil para conseguir algo nesse país. Ao contrário, quer-se
alertar: se o diálogo não retornar nas negociações, se os patrões não
respeitarem os trabalhadores – veja os ataques recentes do ministro da economia
às classes trabalhadores – , temo que mais classe de trabalhadores se
defenderão atacando: isso, eu não desejo ao meu país, mas, sim, o respeito às autoridades,
qualquer que seja, e uma melhor valorização ao trabalhador nesse país, antes
que ele se torne em uma anarquia.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
RESENHA CRÍTICA
TEXTO
I
Malala
Miguel
Barbieri Jr.
Em 9 de outubro de 2012, a paquistanesa Malala Yousafzai voltava
para casa num ônibus escolar quando um homem armado disparou três tiros em sua
direção. Ela tinha 12 anos, e uma das balas atravessou sua cabeça. O eficiente
documentário de Davis Guggenheim (vencedor do Oscar por Uma verdade inconveniente)
reconstitui os detalhes da trajetória da garota que, premiada com o Nobel da
Paz, virou uma ativista pelos direitos das mulheres à educação. Além de focar o
atual cotidiano de Malala — ela mora em Birmingham, na Inglaterra, com os pais
mais dois irmãos —, o registro mostra como os fundamentalistas do regime do
Talibã dominaram a região do Vale do Swat e promoveram mudanças radicais nos costumes
da população. Estreou em 19/11/2015.
BARBIERI JR.,
Miguel. Malala. Veja São Paulo. São Paulo: Abril, 25 nov. 2015. p. 13.
TEXTO II
O novo disco de Adele é
um emotivo (e cansativo)
diário aberto
Leonardo Rodrigues
Após
quase quatro anos na penumbra, Adele voltou explorando ao limite todos os
elementos que a ajudaram a se tornar um dos maiores fenômenos recentes da
música pop. Em 25, álbum que lançou nesta sexta (20), boicotando os serviços de
streaming, ela capricha como nunca na potência vocal, prioriza arranjos etéreos
e quase sempre grandiosos, entrega letras tão intimistas quanto as anotações de
um diário de adolescente.
A proposta pode soar repetitiva e cansativa — e soa —, mas o
fato é que nenhum fã terá do que reclamar. Esse é o terreno da jovem cantora,
onde caminha com mais desenvoltura. Hoje com 27 anos, Adele tinha dois a menos
quando começou a trabalhar nas músicas, que, segundo ela, foram compostas para
“apagar o passado”, provavelmente ainda o do ex, o fotógrafo Alex Sturrock, que
já fora lembrado em faixas do disco 21. Aparentemente, não o suficiente.
“Agora eu sou uma mamãe que tem muita coisa na cabeça. Tenho que
limpar um monte de coisas que me prejudicam, o que é realmente terapêutico,
porque eu consigo guardar rancor. A vida é muito mais fácil quando você não
acumula seu passado”, disse a cantora em entrevista recente à revista à
britânica i-D.
Como se quisesse ver a vida passando pelos seus olhos, Adele faz
do passado o presente em quase todas as faixas de 25. Vai da infância em River
lea, em que usa a metáfora do rio inglês para justificar sua personalidade,
passando pelos malfadados traumas sentimentais (Hello, When we were young,
Million years ago, entre outras), até desembocar em sua maior transformação até
aqui, a maternidade (em Sweetest devotion).
Entre mágoas, lenços e lágrimas, o amor parece triunfar no fim.
“Meu amor é tão profundo e verdadeiro pelo meu homem que me coloca em uma posição
em que eu consigo finalmente estender a mão para o ex. Deixe-o saber que eu o
superei”, disse esta semana em entrevista ao The Guardian.
[...]
etéreo: que eleva
espiritualmente; sublime,
elevado.
serviço de streaming:
plataforma conectada
à internet pela qual o
assinante pode ter acesso
a uma grande quantidade
de
músicas disponíveis.
RODRIGUES, Leonardo. O
novo disco de Adele é um emotivo (e
cansativo) diário aberto.
Disponível em: <musica.uol.com.br/noticias/
redacao/2015/11/20/novo-disco-de-adele-e-um-emotivo-e-cansativodiario-
aberto.htm>. Acesso em: fev. 2016.
Você
conhece a cantora Adele e o disco sobre o qual o texto fala? Suponhamos que
você não o conheça. Apenas pela leitura do texto de Leonardo Rodrigues, sua
impressão sobre o disco seria mais positiva ou mais negativa?
Que característica do disco é ressaltada
pelos comentários de Leonardo Rodrigues?
Caso você já tenha ouvido alguma das faixas que compõem a obra
comentada, explique se você concorda ou não com a avaliação que Leonardo
Rodrigues faz.
Ao ler os textos 1 e 2, você deve ter percebido algumas
características em comum:
●● Ambos
apresentam algum tipo de descrição de uma obra artística. Essa descrição procura
apresentar as características essenciais ou mais evidentes, mais perceptíveis:
no texto 1, a obra descrita é o documentário Malala; no texto 2, é a coletânea
de músicas da cantora Adele o objeto apresentado.
●● Além da
descrição das obras artísticas, há também uma série de comentários que os
autores fazem a respeito delas. Esses comentários são feitos com base numa análise
da obra: são indicados aspectos ligados à composição, características
consideradas qualidades artísticas (ou problemas), elementos julgados positivos
(ou negativos), características estruturais.
●● Ao mesmo tempo que há
esses comentários analíticos, os autores também apresentam comentários
apreciativos, de natureza avaliativa. Nesses comentários, é possível observar
expressão de opiniões. Por exemplo:
“O
eficiente documentário de Davis Guggenheim (vencedor do Oscar por Uma
verdade inconveniente) reconstitui os detalhes da trajetória da garota que,
premiada com o Nobel da Paz [...]”
“A
proposta pode soar repetitiva e cansativa – e soa – mas o fato é que nenhum fã
terá do que reclamar.”
Nesses
comentários, você pode observar o emprego recorrente de recursos linguísticos e
discursivos comumente utilizados para expressar opiniões em textos de natureza argumentativa:
adjetivos com função avaliativa, formas de modalização, projeções enunciativas
explícitas, entre outros.
Textos
que têm essa característica são chamados em geral de resenhas críticas.
Exemplo
de resenha de livro:
Contos Amazônicos
Obra interessante,
mas menos conhecida do autor de "O Missionário"
Da Página 3
Pedagogia & Comunicação
Publicado
originalmente em 1893, os "Contos Amazônicos", de Inglês de Souza
(1853-1918), chegam afinal à sua terceira edição. A iniciativa, da Editora
Martins Fontes, com certeza merece aplausos e por diversas razões. (juízos
de valor, grifo meu)
O principal motivo é
o valor histórico e literário dos "Contos Amazônicos", um livro injustamente
colocado em plano secundário pelos críticos e historiadores da literatura
brasileira. Quando se fala na obra de Inglês de Souza, menciona-se
principalmente - quando não de modo exclusivo - o romance "O
Missionário" (1891), devido ao fato de ele se inserir no estilo de época
predominante no Brasil da segunda metade do século 18, o naturalismo.
Entretanto, o que há
de pior em "O Missionário" é justamente o seu caráter naturalista,
marcado tanto pelo esquematismo determinista na interpretação da realidade
psicológica e social que põe em foco, quanto pelos excessos retóricos e
descritivos que truncam ou se sobrepõem à narração propriamente dita, tornando
o romance indigesto, em particular para o leitor contemporâneo.
Ao contrário, nos
"Contos Amazônicos", Inglês de Souza conseguiu escapar à fôrma do
naturalismo, produzindo uma obra original e de leitura ainda hoje agradável.
Uma obra de cunho regional que antecipa o melhor da nossa prosa regionalista de
meados do século 20: José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.
A linguagem dos nove
textos que compõem o volume é objetiva e bastante concisa, caracterizando-se
por uma oralidade simpática e extremamente adequada, pois os contos reproduzem
"causos" que diversos narradores estão trocando entre si, numa
espécie de sarau narrativo, que o leitor vai pressentindo por pequenas
indicações dadas pelos próprios narradores, a partir do segundo conto do
volume.
Essa oralidade, por
sinal, atinge seu ápice no conto "O gado do Valha-me Deus", que tem
por narrador um vaqueiro, o Domingos Espalha, cuja sintaxe cheia de idas e
voltas e o rico vocabulário popular e regional evocam pioneiramente a linguagem
do Riobaldo de "Grande Sertão: Veredas".
Além dessa requintada
elaboração estilística, em termos de linguagem literária, também cabe observar
o brilhantismo com que Inglês de Souza maneja o gênero conto. Em especial
aqueles que se situam no terreno da literatura fantástica, como "A
feiticeira", "Acauã", "Amor de Maria" e "O baile
do judeu", além de "O gado do Valha-me Deus" já mencionado.
Em todos eles, o
autor soube elaborar literariamente personagens e situações sobrenaturais
extraídas do folclore ou do imaginário popular regional, criando narrativas
que, além do final surpreendente, têm um clima denso e assustador.
Mas também têm o
mesmo impacto os outros contos do livro, que abordam temas ligados à história
do Brasil e denunciam o descaso do governo nacional, do Império e da primeira
República, com a região amazônica. "O voluntário", por exemplo,
revela como eram recrutados "a pau e corda" os "voluntários da
pátria" durante a Guerra do Paraguai.
"O donativo do
capitão Silvestre" reflete os ânimos da região, quando da eclosão da
Questão Christie. Finalmente, "O rebelde" - que por sua extensão é
mais uma novela do que um conto propriamente dito - tematiza a revolta da
Cabanagem, ocorrida no Pará entre 1835 e 1840.
Indicações
Ensino Médio. Para o professor de
literatura brasileira que deseje oferecer uma visão menos padronizada da
literatura brasileira. O livro também cria a possibilidade de trabalhos
interdisciplinares com a área de história do brasil.
Contos Amazônicos
Inglês de Souza
Editora Martins Fontes
205 págs.
Inglês de Souza
Editora Martins Fontes
205 págs.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Texto argumentativo para leitura e análise
Depois de ser ouvida, a "pirralha" Greta Thunberg
parou de gritar
Reinaldo Polito 28/01/2020
“A esperança tem duas filhas lindas, a
indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como
estão; a coragem, a mudá-las.”
Santo
Agostinho
Nós nos lembramos bem do tom do discurso usado
por Greta Thunberg quando se apresentou diante de líderes de 60 nações, durante
a Cúpula do Clima da ONU, ocorrida no ano passado em Nova Iorque. Ela leu e
interpretou um discurso, falando de maneira enérgica, com o semblante crispado,
voz quase raivosa e gestos contundentes.
As pessoas questionavam se aquela forma de
falar não era artificial, e se não poderia produzir efeito contrário ao que ela
estava pretendendo. A resposta a essa indagação pode ser encontrada em Vieira:
"E como os brados no mundo podem tanto, bem é que bradem alguma vez os
pregadores, bem é que gritem. [...] há de ser a voz do pregador: um trovão do
céu, que assombre e faça tremer o mundo."
E no caso de Greta funcionou. Seus brados foram
ouvidos. Assombraram e fizeram tremer o mundo. A partir dessa sua participação,
ela que já era relativamente conhecida por seu ativismo foi catapultada com
destaque para o mundo todo. Suas posições não encontram unanimidade. Aqui mesmo
no Brasil, se, por um lado, conseguiu conquistar muitos adeptos e seguidores,
por outro, angariou também inúmeros desafetos.
Os brados de Greta
Suas frases pronunciadas com indignação
reverberaram por todos os cantos do mundo: "Vocês roubaram os meus sonhos
e minha infância com palavras vazias". "As pessoas estão sofrendo. As
pessoas estão morrendo". "Estamos no início de uma extinção em massa
e tudo o que vocês falam gira em torno de dinheiro e um conto de fadas de
crescimento econômico eterno. Como ousam?" Foram frases de efeito, curtas
e bastante provocativas. Chegaram aos ouvintes.
Para dar uma ideia de seus efeitos, vale
mencionar que há poucos dias, Greta se manifestou sobre a morte de dois índios
da etnia Guajajara, afirmando que morreram defendendo a Amazônia. Em uma de
suas entrevistas, o presidente Bolsonaro, ao responder a uma pergunta dos
jornalistas sobre a morte desses índios, sem que o nome da ativista sueca fosse
mencionado, aproveitou a oportunidade para criticá-la.
Após ser indagado se não estava preocupado com
a morte dos dois índios, ele respondeu: "Como é, índio!?" Em seguida,
parecendo esquecer o nome da pessoa - um recurso muito comum para desqualificar
quem se deseja criticar - perguntou: "Qual o nome daquela menina lá? Não,
lá de fora, lá. Aquela Tabata, não. Como é? Greta. A Greta já falou que os
índios morreram porque estão defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa
dar espaço para uma pirralha dessa aí. Uma pirralha".
Esse comentário de Bolsonaro provocou grande
alvoroço, com muitas pessoas aplaudindo seu posicionamento e outras criticando
suas palavras. A repercussão foi tão intensa que o porta-voz Rego Barros
precisou entrar em cena para dar explicações. Afirmou que do ponto de vista
gramatical Bolsonaro não foi descortês com Greta.
Mais
tarde complementou pedindo aos jornalistas que pesquisassem o significado da
palavra "pirralha". Perguntou se já haviam dado uma
"googlada" sobre o que é pirralho. Pirralho é uma criança ou pessoa
de pequena estatura. Onde que o presidente foi inadequado, foi descortês com
Greta? Ela é uma pirralha. Ela é uma pessoa de pequena estatura.
A impressão é que Greta fala para os extremos.
Ou encontra adeptos para a sua causa, ou refratários às suas ideias. Por isso,
a forma que escolheu para se expressar não podia ter sido neutra. Era preciso
energia e eloquência para ser ouvida.
Suas opiniões provocam controvérsias
Estou fazendo referência a esse fato para
mostrar como as opiniões a respeito das posições adotadas pela ativista
provocam controvérsias. Agradando ou não, a verdade é que a maneira como ela se
expressou deu resultado. Quantos ativistas no mundo inteiro tentaram ser
ouvidos, mas por mais elaborados que fossem seus discursos, se assemelhavam ao
voo de galinhas. Não chegaram além das salas de onde foram proferidos.
Mesmo não tendo ficado em silêncio ao longo
desse último ano, pois vez ou outra tem se manifestado sobre causas
ambientalistas, Greta teve a oportunidade de se mostrar novamente ao mundo
agora na 50ª edição do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Ao se
apresentar, proferiu discurso com mensagem forte, mas seu comportamento foi
muito mais sereno.
Talvez por já ser conhecida, sabia que seu
discurso poderia ser mais equilibrado, pois seria ouvido de qualquer maneira.
Tanto assim que brincou com esse fato: "Não sou uma pessoa que pode
reclamar sobre não ser ouvida". A plateia reagiu com risadas imediatamente.
Aproveitou a oportunidade para deixar sua mensagem aos líderes mundiais:
"A ciência e a voz dos jovens não são o centro da conversa, mas precisam
ser".
As palavras podem ser como o orvalho
Essa fala mais serena e ponderada também
encontra explicações em Vieira: "Mas que diremos à oração de Moisés? Desça
minha doutrina como chuva do céu, e a minha voz e as minhas palavras como
orvalho que se destila brandamente e sem ruído". E quando se respalda em
Isaias diz: Não clamará, não bradará, mas falará com uma voz tão moderada que
se possa ouvir fora".
É interessante observar a diversidade de
opiniões. A deputada Tabata Amaral, por exemplo, enaltece a coragem e os ideais
de Greta Thunberg. Por outro lado, o formador de opinião e jornalista Augusto
Nunes afirma que a imprensa ainda irá se arrepender por dar ouvidos e valorizar
tanto pessoas como a ativista sueca.
A maneira de falar dos líderes mundiais tem
muito a nos ensinar. Independentemente do fato de comungarmos ou não com suas
ideias, de gostarmos ou não das suas posições ideológicas, é possível observar
como se comportam e a forma como conseguem atingir seus objetivos. É o caso
dessa menina Greta Thunberg, que mesmo sendo tão novinha conseguiu se projetar
em todo o mundo.
Superdicas da semana
Há momentos em que o orador deve bradar como o
trovão
Há momentos em que o orador deve ser suave como
o sereno
A emoção do orador deve estar à altura da causa
que defende
A emoção do orador deve ir ao encontro da
expectativa da plateia
Livros de minha autoria que ajudam a refletir
sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado
pela Editora Sextante. "Como falar de improviso e outras técnicas de
apresentação", "Oratória para advogados", "Assim é que se
Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas"
e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora
Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora
Planeta.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a
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Fonte: Uol notícias
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