quinta-feira, 13 de junho de 2019

Interpretação de Texto IV


No fragmento de Grande sertão: veredas a seguir, Riobaldo começa a contar sua história e a revelar ao interlocutor as inquietações que o afligem. Leia-o e, em seguida, responda às questões de 01 a 03.
De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro, não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular ideias. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...
Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem — ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! — é o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco — é alta mercê que me faz; e pedir posso, encarecido. Este caso — por estúrdio que me vejam — é de minha certa importância. Tomara não fosse...Mas, não diga que o senhor, assisado e instruído, que acredita na
pessoa dele?! Não? Lhe agradeço! Sua alta opinião compõe minha valia. Já sabia, esperava por ela — já o campo! Ah, a gente, na velhice, carece de ter sua aragem de descanso. Lhe agradeço. Tem diabo nenhum. Nem espírito. Nunca vi. Alguém devia de ver, então era eu mesmo, este vosso servidor. Fosse lhe contar... Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. Até: nas crian ças — eu digo. Pois não é ditado: “menino — trem do diabo”? E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento... Estrumes. ... O diabo na rua, no meio
do redemunho...
Hem? Hem? Ah. Figuração minha, de pior pra trás, as certas lembranças. Mal haja-me! Sofro pena de contar não... Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá a mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca-doce pode de repente virar azangada — motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre com mudas seguidas, de ma naíbas — vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo de se comer sem nenhum mal. E que isso é? Eh, o senhor já viu, por ver, a feiura de ódio franzido, carantonho, nas faces duma cobra cascavel? Observou porco gordo cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engulir por sua suja comodidade o mundo todo? E gavião, corpo, alguns, as feições deles já representam a precisão de talhar para adiante, rasgar e estraçalhar a bico, parece uma quicé muito afiada por ruim desejo. Tudo. Tem até tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas — que estragam mortal a água, se estão jazendo em fundo de poço; o diabo dentro delas dorme: são o demo. Se sabe? E o demo — que é só assim o significado dum azougue maligno — tem ordem de seguir o caminho dele, tem licença para campear?! Arre, ele está misturado em tudo.
Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor — compadre meu Quelemém diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois — e Deus, junto. Vi muitas nuvens.


(Guimarães Rosa. Grande Sertão: veredas)
abrenúncio: do latim abrenuntio, interjeição que tem o sentido de “credo”, “Deus me livre”.
assisado: que tem siso, juízo; ajuizado.
azougue: do árabe, pessoa muito viva e esperta.
campear: andar pelo campo, procurar.
carantonho: cara grande e feia.
manaíba: do tupi, muda de mandioca.
moquém: grelha feita de varas usada para secar ou assar carne ou peixe.
peçonha: veneno.
quicé: do tupi, o mesmo que “faca velha”

QUESTÃO 01O excerto lido, embora narrativo, apresenta uma estrutura dissertativo-argumentativa, isto é, o narrador desenvolve uma ideia central com argumentos e, no final, chega a uma conclusão. Qual é a tese ou ideia central — apresentada no 2º parágrafo — que o narrador pretende desenvolver?

QUESTÃO 02 – O exemplo da mandioca fundamenta a tese adequadamente? Por quê?

QUESTÃO 03 – Pela conclusão a que chega, Riobaldo tem motivos para continuar se preocupando?

QUESTÃO 04 – Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.[...]Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.  LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).   

  A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque a narradora:
A) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
B) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
C) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. D) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
E) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.


QUESTÃO 05 – Considere a obra Meus poemas preferidos, de Manuel Bandeira, e o seguinte poema, retirado dessa obra.

NAMORADOS

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.

Sobre Manuel Bandeira e o poema acima, considere as seguintes afirmativas:

1. No poema “Namorados”, a poesia de Manuel Bandeira flerta com a prosa. Percebe-se um caráter narrativo, que permite a presença de mais de uma voz.
2. Embora o poema “Namorados” apresente um assunto comum à tradição da poesia – a relação e a declaração amorosas –, o tratamento dado a ele pelo poeta é surpreendentemente simples, até cômico, em registro oralizante, um exemplo do que fez a crítica chamá-lo de “poeta do cotidiano”.
3. A estranheza gerada pela comparação da moça à lagarta listrada é a chave da declaração do namorado, que pode ser lida ambiguamente: como uma mera estranheza e, portanto, uma imperfeição que combina com o verso que a descreve como louca; ou como uma estranheza atraente, sendo a loucura meramente uma forma moderna de expressar o “diferente”.
4. Um dos aspectos interessantes da obra de Manuel Bandeira é a nítida passagem que se faz do simbolismo ao modernismo nos seus primeiros livros. Além de refletir a nossa própria história literária, esse processo de mudança também revela como a obra do autor se modificou sem perder muitas de suas características iniciais, mantendo-se sempre ligada a algumas formas da tradição, misturando, por exemplo, o verso livre de alguns poemas às formas fixas de outros.
Assinale a alternativa correta.

A) São verdadeiras apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
B) São verdadeiras apenas as afirmativas 3 e 4.
C) São verdadeiras apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
D) São verdadeiras apenas as afirmativas 1, 2 e 3.
E) São verdadeiras as afirmativas 1, 2, 3 e 4.

A vida sedentária, as dietas gordurosas e a obesidade estão fazendo que doenças típicas de adultos comecem a manifestar-se em crianças e adolescentes. Entre elas está o colesterol alto, uma ameaça à saúde do coração. Como o seu surgimento precoce é um fenômeno verificado nos últimos anos, faltam estudos epidemiológicos mais amplos. Os especialistas tampouco estabeleceram os níveis aceitáveis em meninos e meninas – os parâmetros utilizados são os mesmos aplicados aos adultos.
Uma das primeiras pesquisas revelou que 25% da população infantil brasileira apresentavam níveis elevados de colesterol. O dado preocupa, mas deve ser lido com cautela, já que os pesquisadores não analisaram a condição clínica dos participantes – um aspecto essencial em se tratando de crianças atendidas num laboratório de análises, e não escolhidas aleatoriamente. O mérito do trabalho está mais em chamar a atenção para o problema.
O acúmulo de gordura no sangue é consequência direta da enorme mudança de hábitos ocorrida em todos os níveis sociais. Uma das mais drásticas aconteceu na dieta. Em dez anos, o arroz, o feijão e a salada praticamente desapareceram do prato das crianças brasileiras. Foram substituídos pelos hambúrgueres e batata frita. Assim, a alimentação ganhou excesso de gorduras saturadas e de proteínas, o que eleva as taxas de colesterol.
Além disso, em decorrência do corre-corre quotidiano, fazer uma refeição deixou de ser um hábito controlado pelos pais para transformar-se, na maioria das vezes, numa atividade solitária diante da televisão ou da tela de um computador. Contribui ainda para o aumento do colesterol em crianças o sedentarismo. Estima-se que apenas um terço delas pratique mais de meia hora diária de atividades físicas moderadas. Elas deixaram de brincar ao ar livre, para ficar na frente da televisão ou do computador.
(Adaptado de Giuliana Bergamo, Veja, 17 de agosto de 2005, p. 110-111)

QUESTÃO 06 – O texto permite concluir que a solução para o problema nele apontado está

A) no retorno à tranquilidade das reuniões familiares, no momento das refeições.
B) na diminuição dos afazeres diários, para que a hora da alimentação transcorra em calma.
C) na divulgação, até mesmo em programas da televisão, dos riscos oferecidos à saúde por certos hábitos.
D) no estabelecimento de parâmetros médicos ideais para diagnosticar problemas de saúde em crianças.
E) em uma dieta equilibrada e saudável, além de atividade física regular.

QUESTÃO 07 – Marque somente a alternativa na qual a classificação do sujeito está correta.

I – O acúmulo de gordura no sangue é consequência direta da enorme mudança de hábitos. (SUJEITO SIMPLES)

II – Contribui ainda para o aumento do colesterol em crianças o sedentarismo. (SUJEITO SIMPLES)
III – Estima-se que apenas um terço delas pratique mais de meia hora diária de atividades físicas moderadas. (ORAÇÃO SEM SUJEITO)
IV –  A vida sedentária, as dietas gordurosas e a obesidade estão fazendo (...) (SUJEITO COMPOSTO)
V – O dado preocupa (SUJEITO OCULTO)

Estão corretas

A) I, II, III, IV e V;
B) IV e V;
C) I, II, III e V;
D) I, II e IV;
E) II, III, IV e V.

Interpretação de Texto III


Leia o texto a seguir e, em seguida, responda às questões 01 e 02.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Poderá um dia a máquina pensar melhor e de forma mais inteligente que um ser humano?
Qualquer resposta definitiva para esta questão parece precipitada, mas os cientistas estão de fato empenhados na busca de um computador capaz de pensar e evoluir mais do que um ser humano.
Para alguns, trata-se de uma tarefa impossível. A máquina jamais poderá superar seu criador. Estes aplaudem estrondosamente a recente vitória do enxadrista Garry Gasparov contra o computador Deep Blue, uma máquina inteligente construída pela IBM, a um custo de US$ 2,5 milhões, com o propósito único de jogar xadrez. O Deep Blue é capaz de analisar 200 milhões de lances por segundo; Gasparov, um ou dois.
Para outros, desenvolver as máquinas mais inteligentes que o homem é apenas uma questão de tempo. O cérebro humano não seria ele próprio mais do que uma máquina biológica, cujo mecanismo carbônico poderia ser transposto para o silício.
A primeira posição parece um pouco ingênua e é certamente alimentada por uma visão catastrofista do criador que perde o controle sobre a criatura, como o Frankenstein de Mary Shellley...
É igualmente precipitado afirmar que, algum dia, a humanidade estará construindo androides mais inteligentes que o homem. Nesse domínio, o bom senso recomenda que não se negue “a priori” o conceito de inteligência (ele próprio tão fluido) a computadores, nem que se considere a existência de androides hiperinteligentes como algo inelutável.
A discussão toda, no fundo, é muito antiga. Trata-se de saber se o homem é uma máquina biológica cuja inteligência seria o produto de estímulos eletroquímicos ou se existe um algo mais que os velhos filósofos gregos batizaram de alma.
(Editorial da Folha de São Paulo – 24-03-96)
QUESTÃO 01 – Que tema o texto discute? Marque somente a alternativa correta sobre o tema abordado no editorial.
A) O texto discute uma questão antiga: a “inteligência” das máquinas e a possibilidade de elas superarem seu criador;
B) A certeza de que poderá um dia a máquina pensar melhor e de forma mais inteligente que um ser humano;
C) O fato de que jamais a máquina poderá superar o ser humano;
             D) O princípio segundo o qual todos os seres humanos, naturais ou artificiais, são iguais;

E) A busca pelo homem a tão sonhada felicidade.

QUESTÃO 02 – O editorial A Inteligência Artificial aborda a evolução da ciência e da tecnologia, tema valorizado pela vanguarda europeia do século XX denominada

A) Dadaísmo;
B) Futurismo;
C) Cubismo;
D) Surrealismo;
E) Expressionismo;

QUESTÃO 03 – Para conhecer um objeto, é necessário observá-lo a partir de diferentes perspectivas. Esse pensamento foi difundido por uma das vanguardas europeias. Assinale a alternativa na qual a pintura faz referência a esse movimento revolucionário da arte e da literatura.

A) Dadaísmo;
B) Futurismo;
C) Cubismo;
D) Surrealismo;
E) Expressionismo;

QUESTÃO 04 – Qual dos enunciados a seguir estão de acordo com a Norma Culta da Língua Portuguesa? Explique.

I – Eu trabalhei há mais de três anos no Brasil.
II – Eu fui em Brasília há cinco anos atrás.
III – Dez anos atrás que eu cursei uma universidade.




QUESTÃO 05 – Complete com a ou :

A) _____três anos que não a vejo.
B) Daqui_____pouco, vamos embora.
C) Vamos______o outro lado.
D)Eu nasci_______dez mil anos atrás.


QUESTÃO 06 – Classifique o sujeito das orações a seguir:

A) Mega-Sena acumula.



B) Manifestações pela educação têm cobertura reduzida na imprensa estrangeira.



QUESTÃO 07 – Marque somente a alternativa na qual a oração não tem sujeito.

A) Ministro da Educação causa vergonha nacional.
B) Faz três anos que o Brasil não ganha uma partida.
C) Ana faz uma salada muito boa.
D) Penso, logo, existo.
E) O homem é mortal por seus temores.

Interpretação de Texto II


Leia um fragmento de um texto a seguir para responder às questões propostas.
O sono, a internet e a inteligência (Augusto Cury)
Lúcio tinha fascinação por computadores.
Era um internauta de primeira, mas não usava a internet para enriquecer seus conhecimentos. Não viajava pelos arquivos que estimulavam o mundo das ideias. Seu hobby era bater papo. Batia papo nas salas de seus colegas e na sala de pessoas estranhas.
Porém, no seu dia-a-dia, raramente conseguia conversar com um estranho. Até com os conhecidos
era inibido. Não conseguia falar olhando no olho do outro, expressar suas ideias e revelar seus sentimentos.
Era um bom jovem, entretanto vivia represado, isolado em seu mundo.
Mas, na internet, Lúcio era um avião. Era desinibido, solto, extrovertido, entendia de qualquer assunto. Falava até de si mesmo, era um mestre do disfarce. Nunca revelava seus reais problemas, medos e dificuldades, como quase todo internauta. Fez inúmeros “amigos” virtuais. A maioria era sem “rosto”, ou seja, sem identidade, sem um passado, sem uma história de vida.
O mundo da internet desinibiu o homem, mas, ao mesmo tempo, tornou-o um especialista em simular
seus sentimentos. Todavia, alguns revelam suas emoções sem máscaras. Esses têm chances de desenvolver uma paixão virtual, intensa, por uma pessoa do outro lado da tela. É uma loucura. Parece que a fantasia se torna realidade: o príncipe virtual se encanta pela Cinderela internauta. Entretanto, essa paixão, frequentemente, não tem nenhuma profundidade, embora tenha desespero e ansiedade.
A paixão gerada pela internet, no começo, produz a fantasia de que foram feitos um para o outro, até que saem da tela, se conhecem, convivem com os defeitos, e... Infelizmente, a maioria dos casos resulta em fracassos e produz cicatrizes.

Não procure amor platônico. Procure o amor brando, regado com diálogo e temperado com respeito e realidade. O amor é como uma delicada planta, se não tem raízes não suporta o calor, não resiste às dificuldades. Bom, mas a paixão dos internautas é uma outra história. Um dia, talvez, entre em mais detalhes.
Vamos à história do Lúcio.
Lúcio, às vezes, varava as madrugadas batendo papo na internet. Tinha de estudar de manhã, mas não se preocupava. Levantava reclamando, mas levantava. Dormia cerca de cinco horas. Às vezes menos. Seus pais imploravam para que ele dormisse cedo, mas ele se achava um super-homem.
Jamais acreditou que sua saúde física e sua inteligência poderiam ser prejudicadas por dormir tão 
pouco. Afinal de contas, pensava ele: “No sábado e domingo eu desconto”. Dormia até ao meio-dia.
Todavia, cada vez mais perdia o interesse pela escola. Ia mal nas provas, estudar era um sacrifício.
Andava impaciente e irritado. Nem ele se aguentava de manhã. Seu humor só melhorava à noite. Sonhava
em ser um cientista. Desejava conhecer os segredos da natureza. Mas, à medida que ficava fissurado no
computador, seu sonho ia para o espaço, parecia inalcançável.
Certa vez, foi a uma palestra de um pesquisador da inteligência. Foi obrigado a esse evento, porque a escola o tinha programado. O palestrante era conhecedor do assunto e, ao mesmo tempo, conhecia o mundo dos jovens.
Ele interagia muito com a plateia. A certa altura, começou a fazer uma série de perguntas para os alunos, como: Quem dorme pouco? Quem acorda cansado? Quem sente sono durante o dia? Quem tem déficit de memória ou esquecimento? Quem tem baixa concentração? Quem tem estado irritado ou ansioso?
Por incrível que pareça, a plateia de jovens parecia uma plateia de idosos. Havia cerca de duzentos alunos de várias classes da escola e a maioria deles levantou as mãos para quase todas as perguntas.
Alguns jovens estavam tão cansados que mal conseguiam levantar as mãos. Outros viviam bocejando na classe. Muitos estavam com a memória péssima.
O palestrante brincou com os alunos dizendo: “Vocês parecem uma plateia de velhos em final de
carreira
”. A turma deu gargalhada... Então, comentou que uma das grandes causas da péssima qualidade de vida dos jovens da atualidade é a síndrome SPA, síndrome do pensamento acelerado.

QUESTÃO 01 – Marque somente a alternativa correta. O título do texto é justificado

A) pela grande ferramenta de pesquisa e inteligência que tem sido usada pelos alunos: a internet.
B) pelo fato de que o amor platônico só pode ser encontrado na internet, ou seja, nas redes sociais.
C) pela atitude de muitos jovens que descobrem na internet uma maneira de melhorar seu relacionamento no mundo real.
D) pelo fato de que muitos estão perdendo o sono por causa do uso excessivo da internet, com efeito, estão tendo prejuízo no processo de aprendizagem.
E) pelo motivo de que a internet está tornando as pessoas velhas mais cedo, já que elas não vivem direito.

QUESTÃO 02 – Marque somente a alternativa que não tem correspondência com o texto lido.
A) Lúcio é viciado em internet e suas ferramentas, como as redes sociais.
B) O vício gerado pelas redes sociais podem ter efeitos contrários e afastar as pessoas fisicamente.
C) Dormir bem pode trazer benefícios à saúde das pessoas e ajudar na aprendizagem dos alunos.
D) Pessoas como Lúcio pensam que dormir bem é dormir até ao meio-dia no Sábado e Domingo.
E) Durante a palestra sobre a SPA havia exatamente duzentas pessoas presentes.

QUESTÃO 03 – Qual é o tema do texto lido? Explique.

QUESTÃO 04 – Marque somente a alternativa na qual as palavras destacadas são, respectivamente, artigo e pronome oblíquo.

A) O mundo da internet desinibiu o homem.
B) Foi obrigado a esse evento, porque a escola o tinha programado.
C) O palestrante brincou com os alunos dizendo.
D) a fantasia se torna realidade: o príncipe virtual se
encanta pela Cinderela internauta.
E) o calor, não resiste às dificuldades.

Nem ele se aguentava
de manhã. Seu humor só melhorava à noite. Sonhava
em ser um cientista. Desejava conhecer os segredos
da natureza. Mas, à medida que ficava fissurado no
computador, seu sonho ia para o espaço, parecia
inalcançável.
QUESTÃO 05 – No fragmento do texto acima, a quem o pronome ele está se referindo?


QUESTÃO 06 – Retire do texto de Augusto Cury pelo menos dois pronomes pessoais e identifique a quem eles estão se referindo.

Leia a charge que apresenta uma das temáticas discutidas também no texto de Augusto para responder à questão 07.



QUESTÃO 07 – Com base no texto de Augusto Cury, identifique e explique a crítica feita na charge acima. Fundamente sua resposta com pelo menos uma referência ao texto de Augusto Cury.




Interpretação de Texto I


Leia um fragmento de um texto a seguir para responder às questões propostas.
A ditadura da beleza e a revolução das mulheres (Augusto Cury)

A belíssima Sarah saiu do seu quarto cambaleante e entrou subitamente na ampla sala do apartamento. Seus cabelos longos e encaracolados estavam revoltos, os olhos, fundos, a pele, pálida e a respiração, ofegante. A modelo estava quase irreconhecível. Ao vê-la, Elizabeth, sua mãe, assustou-se. Assombrada, deixou cair a revista das mãos e soltou um grito.
- Sarah! O que aconteceu, minha filha? - Havia um tom desesperado em sua voz.
- Nunca mais perturbarei você. - A voz saiu frágil e pastosa, enquanto a jovem desfalecia nos braços da mãe.
- Sarah! Sarah! Fale comigo! - clamava Elizabeth com o coração palpitando, um nó na garganta e o semblante tenso. Tentou acordar a filha do sono profundo do qual parecia não haver retorno.
Elizabeth colocou Sarah sobre o sofá. Pegou o celular, mas seus dedos trêmulos mal conseguiam digitar os números. A angústia roubara-lhe a coordenação motora. Uma simples tarefa parecia dantesca. Momentos depois, a ambulância chegou. Ao ver o médico e os enfermeiros, Elizabeth bradou:
- Salvem minha filha! - As lágrimas molharam todo o seu rosto. Chorando, ela repetia: - Não a deixem morrer. Por favor, não a deixem morrer...
O médico rapidamente auscultou o coração da moça.
Descompassado, ele ainda batia. A ambulância seguiu célere para o hospital. Alguns momentos podem determinar os capítulos mais importantes de uma vida. Aqueles minutos tiveram um sabor eterno.
O trajeto, que era pequeno, parecia interminável. O som da sirene, que sempre fora desconfortável, agora agredia os ouvidos de Elizabeth.
Ela queria acordar do pesadelo, mas a realidade era crua e angustiante. No outro dia a neve caía suavemente, pousando sobre os galhos das árvores, substituindo as folhas como flocos de algodão, produzindo uma paisagem fascinante. O psiquiatra Marco Polo contemplava a paisagem branquíssima pela vidraça, quando sua secretária veio lhe comunicar que uma mãe, em prantos, desejava falar-lhe. Sempre sensível diante da dor, ele se levantou, foi até a sala de espera, cumprimentou gentilmente a mulher desesperada e pediu-lhe que entrasse.

Elizabeth sentou-se diante dele, olhou-o intensamente, mas estava paralisada e não conseguia pronunciar qualquer palavra. As palavras, porém, eram dispensáveis, pois os músculos contraídos da face acusavam sua angústia, e as lágrimas que desciam pelo rosto, abrindo sulcos na maquiagem, revelavam sua dor. Para Marco Polo, o templo do silêncio era o ambiente mais eloquente para expressar a força dos sentimentos. Por isso, ofereceu-lhe um lenço e também o seu silêncio. O lenço, para que ela enxugasse os olhos, e o silêncio, para permitir-lhe penetrar nas vielas da sua personalidade numa tentativa de enxergar o invisível, o essencial.
Momentos depois, Elizabeth proferiu as primeiras palavras com a voz trêmula:
- Minha filha, Sarah, de 16 anos, tentou desistir da vida. Está internada num hospital. Estou chocada! - Falou como se enfrentasse o mais angustiante terremoto emocional. Abalada, continuou: - Não entendo o seu gesto. Dei tudo para essa menina. Ela foi tratada como uma princesa, mas nada a satisfaz. Ela se traiu e me traiu... – Suas palavras revelavam um sentimento que alternava compaixão e raiva pela atitude da filha.
(...)
- Sarah está no início da carreira de modelo. Tem uma trajetória magnífica pela frente no mundo da moda. Milhares de garotas desejariam estar no lugar dela. Como pode jogar tudo para o alto? - disse, expressando sua perplexidade. E fez ao psiquiatra a pergunta que fazia para si mesma, tentando achar o fio condutor da crise da filha.
- Como é que alguém que foi amada, que teve todos os brinquedos, que não passou por perdas ou privações, uma menina sociável que frequentou festas e se destacou como aluna na escola, pode detestar a si mesma e a vida? Eu não compreendo as reações de Sarah.
(CURY, Augusto. A Ditadura da beleza e a revolução das mulheres)

QUESTÃO 01 – Marque somente a alternativa correta. O título do texto é justificado

A) pela valorização da beleza interior que a mãe estimulou à filha desde criança.
B) pelo fato de só encontrarmos amor nos ideais de beleza na época da ditadura.
C) pelo padrão de beleza que a mãe impôs à filha.
D) pela noção de beleza que o psiquiatra possui.
E) pelo movimento feminista abordado no texto.

QUESTÃO 02 – Marque somente a alternativa que não tem correspondência com o texto lido.

A) Sarah é filha de Elizabeth.
B) Elizabeth é mãe de Sarah.
C) Sarah, apesar de nova, já iniciou a carreira de modelo.
D) Marco Polo é um médico cirurgião.
E) A mãe de Sarah ficou desesperada porque esta tentou se matar.

QUESTÃO 03 – Qual é o tema do texto lido? Explique.


QUESTÃO 04 – Marque somente a alternativa na qual as palavras destacadas são, respectivamente, artigo e pronome oblíquo.

A) O trajeto, que era pequeno, parecia interminável. O som da sirene, que sempre fora desconfortável, agora agredia os ouvidos de Elizabeth.
B) A ditadura da beleza e a revolução das mulheres.
C) O médico rapidamente auscultou o coração da moça.
D) As lágrimas molharam todo o seu rosto. Chorando, ela repetia: - Não a deixem morrer.
E) A ambulância seguiu célere para o hospital.

“Para Marco Polo, o templo do silêncio era o ambiente mais eloquente para expressar a força dos sentimentos. Por isso, ofereceu-lhe um lenço e também o seu silêncio. O lenço, para que ela enxugasse os olhos, e o silêncio, para permitir-lhe penetrar nas vielas da sua personalidade numa tentativa de enxergar o invisível, o essencial.”

QUESTÃO 05 – No fragmento do texto acima, a quem o pronome ela está se referindo?

QUESTÃO 06 – Retire do texto de Augusto Cury pelo menos dois pronomes pessoais e identifique a quem eles estão se referindo.
Leia a letra da canção que tem o mesmo tema do texto de Augusto Cury e, em seguida, responda à questão 07.

Salão de Beleza

Se ela se penteia eu não sei
Se ela usa maquiagem eu não sei
Se aquela mulher é vaidosa eu não sei
Eu não sei, eu não sei

Vem você me dizer que vai a um salão de beleza
Fazer permanente massagem rinsagem
Reflexo e otras cositas más (2x)

Baby você não precisa de um salão de beleza
Há menos beleza num salão de beleza
A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão (2x)

Mundo velho e decadente mundo
Ainda não aprendeu a admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Do engano
Da imperfeição
Belle belle como Linda Envangelista
Linda Linda como Isabelle Adjani
Ai bela morena ai morena bela
Quem foi que te fez tão formosa
É mais linda que a rosa
Debruçada na janela

QUESTÃO 07 – Com base no texto de Augusto Cury, explique e sustente o ponto de vista defendido por Zeca Baleiro na seguinte passagem:

Mundo velho e decadente mundo
Ainda não aprendeu a admirar a beleza
A verdadeira beleza



terça-feira, 4 de junho de 2019

Proposta de Redação sobre Liberação do Porte de Arma no Brasil


INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO – proposta professor Alessandro – alessilva801.blogspot.com
• O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
• O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em 30 linhas.
• A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
• tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”
• fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
• apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos.
• apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.
TEXTOS MOTIVADORES
TEXTO I
Após o decreto que Jair Bolsonaro assinou no dia 15 de janeiro, qualquer brasileiro maior de 25 anos e sem antecedentes criminais pode ter uma arma em casa – não existe mais a exigência de comprovar a necessidade. Essa é a chamada “posse de arma”. O porte é outra coisa: a permissão para andar na rua com um revólver na cinta. Trata-se de um privilégio restrito a militares, policiais, funcionários de empresas de segurança privada e trabalhadores rurais que morem em locais distantes, sem policiamento. É assim desde dezembro de 2003, quando foi assinado o Estatuto do Desarmamento no Brasil.
Pensar em um cenário em que cada brasileiro, do taxista ao CEO de empresa, tenha arma, é analisar uma realidade semelhante à dos Estados Unidos. Lá, comprar um revólver é quase tão simples quanto trocar de eletrodoméstico: estima-se que existam quase 400 milhões de armas, uma média de 121 a cada 100 pessoas – mais armas do que gente. Apenas 3% dos civis, no entanto, possuem alguma arma. Ou seja, quem tem, tem muitas, mas relativamente poucos americanos contam com um revólver na gaveta, ou na cinta. (Guilherme Eler. Superinteressante).
TEXTO II
Devemos ter direito de defender nossa vida, a de nossa família e também nosso patrimônio.
Com treinamento, evita-se acidentes dentro de casa.
A criminalidade aumentou, pois o ladrão sabe que estamos desarmados.
Só "cidadãos de bem" (sic) possuem armas legalizadas.
(Fonte: Academia de Tiro Centaurus, Clube Isa de Tiro e Clube Águia de Haia)

TEXTO III
PROPOSTA DE REDAÇÃO


A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Liberação do porte de armas no Brasil: solução ou incentivo à violência no Brasil?”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.


Reportagem

 GÊNERO TEXTUAL REPORTAGEM Olá, eu sou o professor Alessandro. Na aula de hoje vamos abordar o assunto reportagem. Reportagem é um gênero te...